segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Triste fim

Pessoas são vernáculos abertos,
fluxos contidos,
deuses mortais...
Armados de um nada
cheio de possibilidades vazias,
indicando o fim para o começo...
Na beira ao fundo
- talvez sem fundo ou fundamento -
em busca de ser no outro
a felicidade de si.
O nada é justificado
nas incertezas do viver...
Olhos de águia

Não aprendi a desviar o olhar.
Quero ver além e seguir...
Tudo que a palavra encontra sentido
não é a imagem do pensamento.
Encontra-se à frente daquele
e esse permanece inominável,
intangível,
supremo;
Desconhecido.
Paradoxo

Não se pode pertencer
Ao equívoco
É a precisão da imprecisão
Como uma agonia de não ter
Das coisas que não sou
Na abertura de não ser
Colhendo as migalhas ao vento
Projeto de vida

Ter a infância na criancice do projetar adulto. Ser gente em forma, mas sem proporção. A saudade é tudo que nos resta no presente. Sem ela, não sentimos e não vivemos. Relembrar é viver verdadeiramente, em experiência. Mas viver em presença nunca é vida.

Vermelho Íntimo

Tempo passado,
Horas perdidas.
Coisas omitidas...
Metades da vida.
Dualidades:
Certo e errado;
Luz e escuridão;
Viver e não viver.
Não como extremos
Certo de ser
Um meio termo
Na possibilidade
Que nunca finda.
Sempre há escolha
Mesmo limitada,
Determinada
E escondida.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Aliteração

Viva vivendo o viver vívido de vida
Corra a corrida percorrida sem correr
E à querida querência, queira querer.

Ártico crítico

O fazer poético permanece estático
Nesse semblante tristemente enfático
Na agonia do produzir plástico
Fora do real e do clarão ótico

São fragmentos do viver prático
Que gira girando o poder mítico
Sem superfície, num giro crítico
Compõe a harmonia do olho analítico

Crônica da crosta do meu ártico.

Palavra é exibida

As palavras são acumulo de mal-entendidos. Coisas ditas em momento de cólera têm um tom de cinza da verdade e um tom avermelhado de angústia. Palavras não ditas... Palavras "exibidas" que saem por aí querendo ouvidos que não as querem mais... Palavras... São como as coisas da vida: apenas são. Úteis ou não! A utilidade das coisas, por muitas vezes, está na grandiosidade de serem o que são. Uma das forma de transferir ao mundo externo um mundo interno, estrutura-se na palavra. Pois o lado de dentro vive escondido, porém nunca ausente! Em busca de ser agente e impaciente. Estar passivo não quer dizer ausência. Ser ativo não quer dizer dinamismo. O dever de cada um é ter um compromisso consigo mesmo e isso não é algo ruim. Mas uma boa conversa vale mais que mil linhas escritas.

Ventania de sentimentos

As palavras não denominam o que há por dentro..
Sinto-me perdida em sentimentos, pensamentos e palavras.
Não sei o que fazer com tudo isso.
Quer ver além e seguir seus olhos e boca.
Mas meu arreio me machuca, me controla, por ser o que sou e mais nada. Tudo que a palavra encontra sentido, nunca será a imagem do pensamento; esse encontra-se à frente daquele e permanece inominável, intangível, desconhecido...
No mundo do impossível pensável.
Supremo.

Judge of god

When you see the eyes smiling When you hear the sound of silence When you taste the colored raimbow Then you'll know how much I love...